Poesia do Século XXI

O blog de todos os novos poetas do Século XXI (enviem os poemas para filipemarques1980@sapo.pt)

Sunday, April 23, 2006

Palavras Que Não Disse

Não desesperes quando não digo.
É impossível deixar de sentir, mas
tu pensas que o teatro tem piada,
não acreditas nos desejos que sigo.

Os comunicados não dizem nada
Mas continuas a investigar a verdade,
o incontornável dom da incerteza.
É feio esperar revelações, é vaidade.

Vivo hoje a ocasião da relutância
De pensar que a viagem continua,
Agora sem a conveniência da harmonia
Mas com a simplicidade que é tua.

Desculpa se não fui mero fantoche,
Palhaço de circo, fui soldado sem voz
Que escreve a carta de olhos fechados,
Que lança com medo a sorte dos dados.

A indignação não implica vingança
Engulo o orgulho e para ti me inclino
Porque vivo num heroísmo silencioso
Que te torna vício amargo e doloroso.

Sem pensar que faz de conta não resulta
Ao acaso lembrei-me de te esquecer,
Esqueço dias e noites de culpa
Acabo por nos teus braços me prender.


Filipe Marques

26 de Abril 2004

A Espera

Estou aqui sentado à beira do nada
Há espera que tudo aconteça mas
A noite já não me engana, não sinto.
O silêncio revela a memória esgotada
E enfrento o olhar da minha sombra
Engulo a fuga dos sentidos, sou nada.

Na minha redoma de vidros fumados
Entram os convidados de sempre, e
Vejo sorrisos que parecem embriagados.
Sou mágico inspirado pela incerteza
Que já não vai ser revelação, agora incito
A calma da dor que controla a fraqueza.

Infiltro nos caminhos do corpo o peso do antes
Admiro o inconstante valor da consequência.


Larga-me, senhora irreal de maus modos,
Ou fica e alimenta por momentos raros
As frases que denunciam incómodos.
Não elevo o peso subtil da arrogância
Embaraçante, hábil e desarrumada
Que observo em mim e antes escondia.

O fim não vem longe nem me preocupa,
Apenas os lados redondos do triângulo
Me recordam outros pecados sem culpa.
O caminho para lá, sei que não conheço
Lá, onde tudo parece anormal e perfeito
Onde vou dormir e ignorar este efeito.

Infiltro nos caminhos do corpo o peso do antes
Admiro o inconstante valor da consequência.


Filipe Marques

30 de Abril 2004

Friday, April 21, 2006

Poesia do Século XXI

Amigos, colegas e todos os outros desconhecidos:

Este blog é meu. Este blog é vosso. Este blog é de todos, ou seja, apenas dos poetas.

Desafio-vos a publicarem aqui os vossos poemas. Os excelentes, os bonzinhos ou os péssimos. Não interessa. A arte não se discute. Basta enviarem os vossos poemas para filipemarques1980@sapo.pt.

Caso existam verdadeiros poetas por aí, estou absolutamente predisposto a fornecer acessos ao blog, para que possam publicar os vossos poemas sempre que quiserem.

Os comentários dos leitores também serão bem-vindos!

Um abraço

Filipe Marques